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O que é a Taxa Selic e como ela afeta seu dinheiro?

Ela aparece em investimentos, nos jornais, tem um papel importante na economia brasileira e afeta (muito!) sua vida financeira. Saiba mais sobre a Taxa Selic.

A Selic, ou Taxa Selic, é a taxa básica de juros da economia. A cada 45 dias, a Taxa Selic vira notícia em todo o Brasil – seja por ter aumentado, diminuído ou se mantido estável após a reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central.

Em agosto de 2020, por exemplo, ela ficou definida em 2% ao ano.

Abaixo, entenda o que o termo “Taxa Selic” significa e qual a importância dele no seu dia a dia.

O que é a Taxa Selic 
Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Basicamente, ela influencia todas as demais taxas de juros do Brasil, como as cobradas em empréstimos, financiamentos e até de retorno em aplicações financeiras.

Mas o que significa Selic?
É a sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia, um programa totalmente virtual em que os títulos do Tesouro Nacional são comprados e vendidos diariamente por instituições financeiras.

Além do Banco Central, apenas instituições financeiras têm autorização para negociar títulos nesse ambiente. Ou seja, pessoas comuns não têm acesso.

Já a Taxa Selic está ligada aos juros dos títulos públicos que o governo oferece neste sistema.

E quem decide o valor dessa taxa?
É o Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central. Eles se reúnem a cada 45 dias para definir se a Taxa Selic aumenta, diminui ou se mantém estável.

Qual é a Taxa Selic hoje?
A Taxa Selic hoje está em 2% ao ano. Ela foi definida no dia 5 de agosto de 2020 pelo Copom, que decidiu abaixar a taxa de 2,25% para 2%.

Veja, na tabela abaixo, o histórico da Taxa Selic mensal desde 2013. Para acessar os anos anteriores, clique aqui.


Como funciona a Taxa Selic?
Para explicar a Taxa Selic, é preciso voltar a uma necessidade básica de qualquer governo: ter dinheiro para fazer investimentos e pagar dívidas.

Apesar da principal forma de arrecadação ser por meio dos impostos, outra forma de arrecadar dinheiro é com empréstimos – como por meio dos títulos do Tesouro Nacional.


Como assim?
Os títulos do Tesouro são certificados de dívida emitidos e vendidos pelo próprio governo através do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic, lembra?).

Quem compra um título ganha o direito de, em determinada data, receber o valor de volta com o acréscimo de juros.

É importante entender, entretanto, que a maioria dos títulos do tesouro é comprada por grandes instituições financeiras.

Isso acontece porque, por lei, toda instituição é obrigada a depositar uma parcela dos depósitos recebidos no dia em uma conta no Banco Central. Essa é uma forma de controlar a quantidade de dinheiro em circulação e evitar o aumento da inflação.

Como as instituições financeiras realizam milhões de operações diariamente, é comum chegar no fim do dia com uma quantia maior ou menor do que deveriam ter na conta do BC.

Neste caso, elas são obrigadas a pegar empréstimos com outros bancos para cumprir a lei.


Entendi. E o que isso tem a ver com a Selic?
Geralmente, esses empréstimos são de curtíssimo prazo (o tempo entre a retirada e o retorno do valor acontece em torno de 24 horas). Como garantia, as instituições oferecem os títulos públicos adquiridos do Banco Central.

Entender isso é importante para entender a diferença entre Taxa Selic Over e Taxa Selic Meta.

Taxa Selic Over
Basicamente, é a taxa de juros praticada quando uma instituição financeira empresta dinheiro para outra e usa, como garantia, os títulos públicos adquiridos no Banco Central (como explicado acima).


Taxa Selic Meta
Já a Taxa Selic Meta é a que você está acostumado a ouvir sobre: a taxa básica da economia Brasileira. Ela serve como parâmetro para outras taxas praticadas no mercado, e tende a ser a menor taxa na economia.

É sobre esta taxa a que este texto se refere – não à Selic Over.

Como a Taxa Selic é calculada 
A Taxa Selic é definida a cada 45 dias pelo Copom (Comitê de Política Monetária), ligado ao Banco Central, que se baseia em inúmeros indicadores financeiros do país para chegar a uma taxa.

Nessas decisões, a Selic pode tanto se manter estável, sem alterações, quanto aumentar ou diminuir em pontos percentuais.

As mudanças na Taxa Selic acontecem pois a economia não é estável – e, por isso, é preciso adequá-la ao cenário para que exista um equilíbrio e garantir que o dinheiro continue circulando.


Por que a Taxa Selic é importante?
A Taxa Selic foi criada em 1979, período em que a economia brasileira enfrentava um cenário de hiperinflação. Seu objetivo sempre foi ser uma ferramenta de controle da inflação: qualquer mudança que o Banco Central do Brasil fizer na taxa resultará em uma alta ou queda da inflação. 

Além disso, podemos dizer que o Banco Central:

  • Ao aumentar a Selic, tem como objetivo desacelerar a economia, impedindo a inflação de ficar muito alta;
  • E, ao baixar a Selic, tem como objetivo estimular o consumo e aquecer a economia, aumentando a inflação quando ela está abaixo da meta.

Até hoje, a Selic serve como uma referência para a economia brasileira – uma ferramenta para controlar a inflação do país que pode ser entendida como um indicador da nossa situação econômica.

Como a Selic afeta seu dinheiro e investimentos?
Os efeitos da mudança da Selic são sentidos por todos os brasileiros, bancos e até investidores estrangeiros. Basicamente:

Se a Taxa Selic diminui:

  • O crédito fica mais acessível, já que os bancos tendem a abaixar as taxas de juros;
  • A inflação tende a subir.

Se a Taxa Selic aumenta:

  • Os preços tendem a baixar ou ficar estáveis, como uma consequência do controle da inflação;
  • Os juros de crédito, parcelamento e cheque especial ficam mais altos.

Em agosto de 2020, o Copom (Comitê de Política Monetária) abaixou a Taxa Selic de 2,25% para 2%, afetando as aplicações financeiras de todos os brasileiros – inclusive da conta do Nubank.  

Quais investimentos são afetados pela Selic?
Considerando que a Taxa Selic tem forte influência na taxa de remuneração de diversos investimentos, qualquer mudança na Selic impacta a rentabilidade desses produtos financeiros. São eles:

  • Títulos do Tesouro Direto (Tesouro Selic);
  • Caderneta de poupança;
  • Investimentos de Renda Fixa.

Tesouro Selic
O Tesouro Selic é um título público cuja rentabilidade está indexada à taxa Selic. Quando a taxa Selic é reduzida, também fica menor a rentabilidade do título – e o mesmo vale para a situação contrária: um aumento na taxa Selic torna os títulos públicos mais vantajosos.


Caderneta de poupança
A poupança também sofre os efeitos das mudanças na Selic. Isso porque seu rendimento, por definição, está atrelado à taxa:

  • Se a taxa Selic estiver acima de 8,5% ao ano: a poupança rende 0,5% sobre o valor depositado + Taxa Referencial;
  • Se a taxa Selic estiver igual ou abaixo de 8,5% ao ano: a poupança rende 70% da Selic + Taxa Referencial.

Ou seja: com a Selic abaixo de 8,5% (como agora), a rentabilidade da poupança diminui – e muito!


Investimentos de Renda Fixa
Mudanças na taxa Selic impactam o CDI, um dos índices de rentabilidade mais usados por investimentos de Renda Fixa. Explicaremos abaixo sobre a relação entre as duas taxas, mas basicamente: quando a taxa Selic diminui, o CDI também fica mais baixo.

CDBs, LCIs, LCAs, LCs são os investimentos mais comuns que usam o CDI como indicador de rentabilidade. Esses investimentos terão sua remuneração afetada no caso de mudanças na taxa Selic.

Taxa Selic e CDI: qual a relação?
O CDI e a taxa Selic andam de mãos dadas. Mas por quê? 

Primeiro, é importante dizer, rapidamente, o que é o CDI. CDI é a sigla para Certificado de Depósito Interbancário – o nome dos empréstimos que os bancos fazem entre si para fechar o caixa do dia no positivo. 

Por determinação do Banco Central, todo banco deve fechar o dia com mais dinheiro entrando do que saindo dele. Em outras palavras: fechar o dia com saldo positivo. Entretanto, dependendo das operações realizadas pelos clientes dos bancos, nem sempre isso acontece. 

Neste caso, os bancos precisam fazer um empréstimo para cobrir a diferença e deixar o caixa do dia positivo. Esse empréstimo é feito, por sua vez, de outras instituições financeiras. Como todo empréstimo, os bancos também pagam juros que, neste caso, são definidos pela Taxa CDI.


Voltando à relação entre a taxa Selic e o CDI

  • Se a taxa Selic for muito maior que o CDI, os bancos podem preferir emprestar dinheiro ao governo, e não ao outros bancos, já que assim terão uma rentabilidade maior;
  • Por outro lado, se a Taxa CDI estiver muito acima da taxa Selic, a remuneração dos títulos que usam essa taxa sobe, o que também não é interessante para os bancos. 

Taxa Selic e IPCA: o que têm a ver?
O IPCA é o índice que aponta a inflação do país. Ele indica se houve variação nos preços de uma série de categorias de bens e serviços importantes no dia a dia das pessoas, como vestuário, alimentação, transporte, saúde, despesas pessoais, educação e comunicação.  

Ele é calculado mensalmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém e Vitória, além de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília.

Apesar de não ser calculado em todo o país, o índice é de abrangência nacional – ou seja, vale para todas as regiões e cidades do Brasil.

Considerando que a taxa Selic é uma ferramenta de controle da inflação, o IPCA e a taxa Selic estão sempre muito próximos. Afinal, qualquer mudança feita na taxa Selic afetará o resultado do IPCA.

Um exemplo: quando a taxa Selic aumenta e o acesso ao dinheiro (crédito, empréstimos, financiamentos…) fica menor, o consumidor para de fazer maiores gastos. No longo prazo, essa estratégia controla a inflação por gerar menor demanda e, consequentemente, oferta mais barata.

Portanto, aumentar a taxa Selic ou mantê-la estável é uma maneira de conter o aumento do IPCA. 

Este conteúdo faz parte da missão do Nubank de devolver às pessoas o controle sobre a sua vida financeira. Ainda não conhece o Nubank? Saiba mais sobre nossos produtos e a nossa história aqui.

Fonte: NuBank